Fotos: Acorda Cidade

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“Onde é isso? Há feridos? Os bombeiros já chegaram?…”. Essas foram algumas perguntas aflitas que rodaram as redes sociais aqui em Feira de Santana na sexta-feira (1º de julho) à noite, acompanhadas de imagens retratando um incêndio que tomara conta de algumas lojas do centro comercial da nossa cidade. Aflição. Mas, com o tempo, os esclarecimentos iam chegando, junto com o alívio em saber que não havia vítimas do triste acidente. Para nós, observadores que, aparentemente, não tínhamos nada a ver, tudo não passou de um susto! Então, seguimos para nossos afazeres, porque o tempo não espera. Afinal de contas, tudo foi controlado e não impactou em nada na nossa vida. Será? Até que ponto um acidente nessas proporções não nos afeta?

Será que estamos nos acostumando a sentir as coisas na velocidade da TV? Notícia velha, sentimentos idos. Ou no dinamismo das redes sociais? Postagem feita, curtida, comentada. Pronto! Mudemos de assunto, não dá para perder tanto tempo com o sofrimento alheio, um “deixe seu amém” está de bom tamanho.

A indiferença endurece nossos corações e estamos cada vez mais imunes à dor do outro, colocamos a culpa na correria, na efemeridade da vida que precisa ser vivida e estampada nas telas, porque a pressa para ser feliz se plastificou. Ser indiferente é um estado de falta de atenção com a vida, é banalizar o mal, a amargura, é transformar em memes aquilo que foi violento, aterrorizante, trágico. Transformar “em coisa, coisamente!”. E quando tratamos de passividade diante da existência humana, chamamos a atenção para a não negligência da segurança das pessoas, e também da importância do poder público estar imbuído e preparado para amenizar e, até mesmo, prevenir tragédias como a ocorrida no centro comercial.

Fotos: Acorda Cidade

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O incêndio não foi apagado por completo, não estamos falando aqui de prédios e mercadorias, mas da interrupção da continuidade da rotina, da qual reclamamos tanto, contudo tão necessária para nos organizarmos e projetarmos o amanhã. Estamos falando de histórias, de gente, de famílias que tiveram suas rotinas obstruídas pela fumaça que ainda embaça os olhos lacrimejados daqueles que não conseguiram sentir o acidente na velocidade de uma notícia de TV. Estamos falando do meio ambiente impactado pela nuvem negra, da mudança do cenário que revela a perca. Não há como sermos indiferentes a isso! Sensibilizar nosso olhar passa por uma questão ética, ser compassivo ao outro é ser solidário, enxergarmos além de nós, além das câmeras. É se colocar no lugar do próximo, orar por ele, mesmo sem conhecê-lo!  Porque nós somos parte da sociedade e “o todo sem a parte não é todo”, precisamos ser “todo” e termos consciência disso! E não dá pra ser “todo” como um novelo de lã embolado. Precisamos ser rede bem tecida! Rede para pescar junto, rede capaz de trocar informações e afetos… Mas hoje, sejamos rede para confortarmos e embalarmos as famílias atingidas pela conflagração das lojas. Deixemos claro que nos importamos, sim! Que nossos olhares não estão endurecidos e, mesmo que não possamos apagar todas as chamas, estaremos sensibilizados, em oração, torcendo pela restauração do material, da rotina, da força e da alegria de cada um.

 

Escola João Paulo I,

Por Lorena Carvalho