A Campanha Setembro Amarelo teve início nos Estados Unidos, em 1994, a partir de uma tragédia que comoveu a comunidade de Westminster, pertencente ao estado do Colorado. Naquele ano, o jovem Mike Emme, de apenas 17 anos, cometeu suicídio. Apaixonado por carros, ela havia restaurado um Mustang 1968, que pintou de amarelo. No funeral, familiares e amigos do jovem distribuíram cartões com laços amarelos e mensagens de apoio, para sensibilizar pessoas que enfrentavam dificuldades semelhantes às de Mike e também tivessem dificuldade em compartilhar. E assim a iniciativa de uma comunidade se transformou em uma campanha nos Estados Unidos.

Inspirado por essa ação, o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, trouxe a campanha ao Brasil em 2013. Ao conhecê-la nos Estados Unidos, ele percebeu que o Brasil também precisava falar mais sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. A partir de 2014, a ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), inseriu a Campanha Setembro Amarelo no calendário nacional.

O suicídio é uma questão de saúde pública que afeta milhões de pessoas no mundo inteiro. Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), divulgados em setembro de 2022, entre 2016 e 2021 houve um aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos, chegando a 6,6 por 100 mil no Brasil; e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos, chegando a 1,33 por 100 mil em nosso país. A maioria dos casos está ligada a transtornos mentais não diagnosticados ou não tratados adequadamente, o que reforça a importância do acesso ao tratamento psiquiátrico.

Nestes 11 anos de campanha, a ABP tem atuado ativamente na promoção de ações de conscientização em todo o Brasil, já tendo colaborado com empresas, instituições de ensino, órgãos governamentais e organizações da sociedade civil; e realizado milhares de eventos, palestras e ações educativas que incentivam o diálogo aberto sobre saúde mental e prevenção de doenças. O Setembro Amarelo também levou a ABP para as principais Casas Legislativas do país, além de fazê-la firmar parcerias estratégicas, como a que fez com o Ministério da Defesa, ampliando seu alcance em todo o território nacional em 2024.

Assim, a ABP elaborou cartilhas para que as pessoas tenham acesso fácil e gratuito a informações de qualidade e com embasamento científico. As cartilhas têm orientações para pais e responsáveis, sobre como abordar saúde mental com crianças e adolescentes; e para profissionais da imprensa, orientando como informar sobre casos de suicídio, pois esse tema, quando tratado de forma inadequada, pode gerar efeitos negativos, a exemplo do aumento de casos. Também estão disponíveis cartilhas e outros materiais voltados para a população em geral sobre como e onde buscar ajuda.

Há diversas formas de prevenção ao suicídio, sendo a principal o investimento na prevenção de doenças mentais, especialmente nos serviços públicos de saúde. É fundamental garantir à população o acesso a atendimentos ambulatoriais, com psiquiatras e equipes de saúde multiprofissionais; e políticas públicas mais eficazes. Também é necessário ampliar o alcance de iniciativas que promovam a saúde, previnam o suicídio e reduzam o estigma em relação às pessoas com doenças mentais.

Norteado em 2025 pelo lema “Se precisar, peça ajuda”, o Setembro Amarelo objetiva justamente incentivar as pessoas a buscarem ajuda profissional, pois a doença mental tratada de forma adequada e com o acolhimento devido pode prevenir o suicídio de forma efetiva. Após mais de uma década, a campanha se consolidou como uma das maiores a respeito da conscientização sobre o tema no Brasil, mas a missão continua. O mês de setembro é só simbólico. Falar sobre saúde mental, prevenção de doenças e reivindicar tratamento gratuito e acessível para todos devem ser iniciativas a serem desenvolvidas nos 365 dias no ano.

Conheça mais sobre a Campanha Setembro Amarelo, acesse às cartilhas e saiba onde buscar ajuda clicando aqui!

Com informações do site: setembroamarelo.com.
Imagem: phytoart.com.br.