O mês era março e iniciamos um trabalho específico, preparatório para a transição da letra bastão para a cursiva. Em meio a tantas estratégias e propostas, eis que a minha turma apresenta um interesse especial pela tapeçaria. Entre lãs coloridas, molduras de talagarça e agulhas, os alunos do 1º Ano D se envolveram e não quiseram mais parar…
A proposta começou com bordados livres, para os estudantes experimentarem os movimentos, cores e texturas. Em seguida, propus que eles criassem uma espécie de borda, para limitar a exercitação seguinte, que era cada um bordar, na forma cursiva, o traçado da primeira letra do seu nome, para que fossem se familiarizando com o novo traçado do alfabeto. Bordados prontos, embalados e enviados para casa como um mimo da Cerimônia de Transição para a Letra Cursiva.
O tempo passou… O caderno de pauta e a ficha com letras cursivas deram vez ao mais novo desafio: Escrever usando um novo modelo de letra. Porém o desejo de bordar permaneceu. E após inúmeros pedidos, tal como “Pró Maga, quero bordar mais!”, surgiu, em um canto da sala, uma espécie de tear feito de curiosidades, linhas, agulhas e sonhos. Ao redor dele, mãos pequenas, olhares atentos e o desejo de criar.
Cada pedaço de lã era uma decisão. Cada cor, uma emoção traduzida em trama. Com os dedos ainda aprendendo o tempo de cada movimento, as crianças foram tecendo mais que tapeçarias: Teciam escutas, paciências e esperas. Os novelos dançavam entre conversas suaves… entre “Pró, me ajuda aqui porque a linha embolou!”… “Olha o que eu tô conseguindo fazer!”…
A tapeçaria crescia como uma história coletiva, onde cada ponto era um pedacinho de si. Não havia pressa. E entre erros e descobertas, nascia um saber que não se mede, se sente. As crianças aprenderam sobre texturas, coordenação motora…, mas, acima de tudo, sobre o entrelaçado das relações. E ao final o que ficou foi além da arte. Ficou a memória viva de um processo sensível em que a infância se afirmou criadora potente, capaz de transformar fios soltos em tecidos de afeto e de pertença.
Professora Magaly Almeida.
Abaixo, veja fotos do processo. Ao final das imagens, clique e veja o álbum composto por fotos de cada pequeno artesão apresentando a sua obra finalizada!

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Parabéns, Maga!
Seu texto recheado de sentimentos traduziu de forma linda e poética uma vivência tão significativa que é a TAPEÇARIA!